Avanço da IA muda perfil das vagas e reduz espaço para profissionais em início de carreira

O mercado de trabalho vem passando por mudanças com o avanço da inteligência artificial. Um levantamento da Bain & Company mostra que o número de anúncios de emprego para profissionais em início de carreira caiu em diferentes mercados, enquanto a demanda por trabalhadores com competências em inteligência artificial cresceu. No Brasil, a quantidade de anúncios […]

2 de outubro de 2026

O mercado de trabalho vem passando por mudanças com o avanço da inteligência artificial. Um levantamento da Bain & Company mostra que o número de anúncios de emprego para profissionais em início de carreira caiu em diferentes mercados, enquanto a demanda por trabalhadores com competências em inteligência artificial cresceu.

No Brasil, a quantidade de anúncios de vagas caiu 39% entre junho de 2025 e junho de 2026, segundo dados coletados pela ferramenta Aura, da Bain. A redução ficou atrás apenas da registrada na França, de 40%, entre os dez mercados analisados.

Apesar da retração geral nas contratações, a procura por profissionais com conhecimentos em IA seguiu em sentido contrário. No segundo trimestre de 2026, foram cerca de 351 mil anúncios de emprego relacionados à inteligência artificial no mundo, um crescimento de 60% em relação ao mesmo período de 2025.

Menos vagas de entrada

A redução das oportunidades para profissionais juniores está relacionada, entre outros fatores, à mudança nas tarefas realizadas pelas empresas. Atividades mais rotineiras, que tradicionalmente fazem parte das funções de entrada, estão entre aquelas que podem ser automatizadas ou realizadas com auxílio de ferramentas de IA.

Um levantamento da PwC, que analisou mais de 1 bilhão de anúncios de vagas em seis continentes, mostra que as ocupações mais expostas à IA estão passando por mudanças nas competências exigidas em ritmo mais de duas vezes superior ao observado nas funções menos expostas.

Segundo o estudo, profissionais em início de carreira nas ocupações mais expostas à tecnologia têm sete vezes mais chances de encontrar exigências relacionadas a competências tradicionalmente associadas a profissionais mais experientes, como liderança e pensamento estratégico.

Ao mesmo tempo, a PwC identificou que as vagas de entrada que já exigem competências de nível mais sênior cresceram 35% desde 2019 nas ocupações mais expostas à IA.

Demanda por profissionais de IA aumenta

O avanço da tecnologia, por outro lado, vem criando demanda por profissionais capazes de desenvolver, implementar e utilizar ferramentas de inteligência artificial.

No Brasil, a contratação de profissionais com competências em IA quase triplicou entre 2024 e 2025. A participação dessas vagas no total de oportunidades passou de 1,1% para 3,6%, segundo o Barômetro de Empregos de IA 2026, da PwC.

O estudo também aponta que as competências exigidas nas ocupações mais expostas à IA estão mudando rapidamente. Além do conhecimento técnico, habilidades como criatividade, capacidade de julgamento e empatia ganham espaço à medida que a tecnologia assume parte das tarefas rotineiras.

O que muda para quem está começando

Os dados indicam uma transformação na porta de entrada do mercado de trabalho. Funções tradicionalmente utilizadas para desenvolver profissionais no início da carreira podem passar a exigir, desde o começo, conhecimentos e responsabilidades antes associados a cargos mais experientes.

Isso não significa que a inteligência artificial esteja eliminando todas as oportunidades para profissionais juniores. Os levantamentos mostram, porém, que o perfil das vagas está mudando, com maior exigência de competências relacionadas à tecnologia e à capacidade de tomar decisões.

No Brasil, o cenário também apresenta particularidades. Enquanto os dados da Bain apontam queda de 39% nos anúncios de vagas no período analisado, uma pesquisa divulgada pela Forbes em setembro mostrou que 65% das empresas brasileiras planejavam contratar profissionais em início de carreira no quarto trimestre de 2026. Os dados utilizam metodologias e períodos diferentes e, portanto, não são diretamente comparáveis.




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